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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saída do inferno da droga

Marco era diretor executivo de uma grande multinacional, com salário alto, mulher, filhos, viagens pelo mundo, o respeito dos colegas, enfim, uma vida dos sonhos. Mas em sua rotina diária, ao longo de 20 anos, havia também muitas carreiras de cocaína. Uma década depois, ele estava sem emprego, dinheiro e família. O uísque foi substituído por cachaça barata e a droga, que antes chegava de táxi ao escritório, tinha que ser comprada dentro de favelas. Hoje com 51 anos, o economista tem na ponta do lápis o cálculo de quanto gastou com o vício por 30 anos: R$ 700 mil.
Desde fevereiro, quando foi levado pela família para um centro de recuperação, em Maricá, o mesmo homem que antes usava ternos de grife hoje passa o dia de camiseta, short e chinelo, serve cafezinho para os visitantes e ganha R$ 25 por semana. Três meses depois do início do processo de reabilitação, Marco já podia comemorar o sucesso do tratamento, mas a sensação de superação foi substituída por medo e impotência. O economista descobriu que um parente próximo se viciou em crack. “Tenho medo que ele morra aos poucos, porque ninguém fica dependente do crack por 30 anos, como eu fui da cocaína”, afirma.
FORTALECIMENTO
Mais velho dos internos do Projeto Livres — um centro de recuperação criado por quatro jovens que um dia se envolveram com drogas e hoje ajudam as pessoas a mudar de vida —, Marco já poderia ter voltado para casa. Ele chegou até a receber alta, mas preferiu ficar mais tempo. “Acho que ainda não estou preparado. Tenho medo. Quero me fortalecer, aceitar meus limites de dependente químico e me preparar para ajudar meu parente”, diz.
Mesmo após ter passado bem pela primeira fase do tratamento, Marco teve a certeza que não estava pronto. “Para alguém que usou drogas por 30 anos, é muito mais difícil estender a mão. Ainda mais porque a droga dele pode matá-lo daqui a pouco. Fiquei desesperado quando percebi que, de alguma forma, contribuí para isso”, admite. “Também era viciado em trabalho. A droga me deixou de fora de momentos de família imprescindíveis”.
O psiquiatra Jairo Werner, que trabalha com dependentes químicos, acredita que, apesar de a ausência dos pais afetar na educação dos filhos e nas relações de família, a principal questão que leva os jovens para o caminho da droga é outra. “Vivemos numa época em que as pessoas não desenvolvem autocontrole, disciplina, foco. Não há limites porque os pais não os educam para isso. Eles estão mal preparados, não sabem como formar seus filhos”, adverte.
‘Playboy’ de Niterói preso no Alemão
Filho de psicóloga e sociólogo, Pedro Victorino, 25 anos, era só mais um típico menino de classe média de Niterói usuário de drogas, quando foi preso, aos 16, no Complexo do Alemão, com quase um quilo de drogas. “Eu já não era mais um playboy que gostava de ‘dar um dois’ (fumar maconha), mas era quem fornecia para os viciados de Icaraí. Atravessava, no mínimo, um quilo de cocaína, por semana, para revender”, conta Pedro.
Fernando e Mara Victorino, os pais, que desconfiavam do uso de drogas, souberam, então, que o filho estava preso. “Pensei que fosse brincadeira dele, que saiu de casa, dizendo que iria jogar futebol na praia, mas não era”, lembra o pai. Oito anos se passaram até que, na terça-feira, depois de uma reunião com parentes de outros dependentes químicos, Fernando reconheceu sua parcela de culpa: “Só agora admito que fui uma pai ausente demais. Democratizei muito as relações na minha família. Deveria ter imposto limites para depois dar liberdade. Esse foi nosso maior erro”.
Do vício para a criação de centro de tratamento
Depois de ser internado, sofrer recaída e temer voltar para um ambiente propício às drogas, Pedro Victorino conseguiu abandonar do vício e criou o Projeto Livres, ao lado de Carlos Henrique Rosa, 32, dependente químico que se livrou do crack, depois de virar mendigo, e mais dois amigos.
Conselheiro de outros dependentes químicos, ele agora estuda Psicologia. Seus pais também ajudam meninos e homens como ex-executivo Marco a fazer o caminho de volta das drogas.
“A dependência química é uma doença progressiva, incurável e fatal, que só vai conseguir ser atenuada se cada membro da família, os codependentes, procurarem ajuda antes ou durante o tratamento do dependente. Do contrário, será impossível tirá-lo do vício”, frisa Pedro.
De sua experiência, ele diz ter tirado uma lição. “Os pais não dão dinheiro, mas compram roupa, emprestam o carro, não incentivam a trabalhar ou estudar, e acham que estão ajudando. Essa é a pior maneira de sustentar o vício do filho. É preciso fazer do tratamento uma moeda de troca, porque não adianta deixar de dar dinheiro, mas continuar dando boa vida”.
Projeto não exclui quem não tem condições de pagar
Considerado um dos principais centros de referência no tratamento de dependentes químicos, o Projeto Livre (Proliv), localizado em um sítio no município de Maricá, a 70 quilômetros do Centro do Rio, recebe tanto quem pode como quem não tem condições de pagar. O importante é estar determinado a lutar contra o vício.
“Sabemos que o tratamento em uma clínica particular custa muito caro. Muitas vezes tiramos na mensalidade de um dependente com melhores condições financeiras, as compras que vão alimentar a família de um operário que precisou largar o emprego para se internar aqui. Por isso, as ajudas são bem vindas. O que não aceitamos é de deixar de ajudar alguém”, afirma Pedro.
Na rotina diária dos internos do Proliv, a disciplina é o item principal. Tem hora para dormir, acordar, almoçar, estudar e, principalmente, repensar os malefícios do vício. Na cabeceira, o livro ‘Só por Hoje: Meditações diárias para um adicto em recuperação’.
Programa do Ministério Público ajuda dependentes
Bem orientados, os pais de Pedro Victorino buscaram ajuda na Justiça. O rapaz foi um dos primeiros beneficiados pelo programa Justiça Terapêutica, que permite que pessoas em conflito com a lei, desde que tenham cometido delitos de menor potencial ofensivo ligados à droga, cumpram a pena ou medida socioeducativa em centros de recuperação, onde podem tratar a doença.
Pedro, na época com 16 anos, chegou a ser levado para o Centro de Recuperação de Menores Infratores Padre Severino, na Ilha do Governador. Quando os pais buscaram ajuda no Ministério Público, ele acabou transferido. “Foi o que salvou meu filho. Ele não tinha opção. Era se tratar ou se tratar, e foi o que aconteceu. Caso contrário, ele, com certeza, não estaria vivo hoje”, destaca Mara Victorino.
No caso de Pedro, a família já desconfiava que ele usava drogas, mas a ‘ficha caiu’ no dia da prisão. Segundo o psiquiatra Jairo Werner, os filhos dão sinais de que estão envolvidos com drogas, basta prestar atenção no comportamento deles, principalmente se for o crack.
“O dependente de crack apresenta mudanças de comportamento gritantes. Rapidamente, fica sem condições de estudar ou trabalhar. Começa a gastar muito dinheiro. Muitas vezes não consome tudo o que compra, mas, como precisa ter a droga por perto, acaba gastando muito”, explica.
Especialistas alertam ainda para queimaduras nos dedos, nariz e boca, como sinais característicos dos usuários de crack, porque os materiais utilizados na confecção dos cachimbos não os protegem do calor, e a cocaína presente na droga é um anestésico local, fazendo com que não sintam dor durante o uso.

Fonte: O dia / Web Rádio Gospel

Check out the evil of drugs


Marco was CEO of a large multinational, high income, women, children, travel the world, the respect of colleagues, finally, a life of dreams. But in his daily routine, over 20 years, there were also many lines of cocaine. A decade later, he was without a job, money and family. The whiskey was replaced by cheap liquor and drugs, before the taxi came to office, had to be bought in slums. Today at age 51, the economist has the tip of the pencil to calculate how much you spent with addiction for 30 years: $ 700 mil.
Since February, when the family was taken to a recovery center, in Marica, the same man who once wore designer suits today is the day t-shirt, shorts and slippers, serves coffee to visitors and earn $ 25 per week. Three months after the start of the rehabilitation process, Marco could already celebrate the success of treatment, but the feeling was replaced by overcoming fear and helplessness. The economist found that a close relative became addicted to crack. "I'm afraid he would die slowly, because no one is dependent on the crack for 30 years, as I was cocaine," he said.
STRENGTHENING
Older inmates Project Free - a recovery center created by four people a day were involved with drugs and now help people change their lives - Marco could have already gone home. He even sent home, but preferred to stay longer. "I think I am not yet prepared. I'm afraid. I want to strengthen, accept my limits addict and help me prepare for my relative, "he says.
Even after spending a first-phase of treatment, Marco was sure that was not ready. "For someone who used drugs for 30 years, is much more difficult to reach out. Even more because the drug it can kill you in a moment. I was desperate when I realized that somehow I contributed to it, "he admits. "It was a workaholic. The drugs left me out of moments of family indispensable. "
psychiatrist Jairo Werner, who works with drug addicts, believes that despite the absence of parents affect their children's education and family relationships, the main issue that leads young people to the path of drugs is another. "We live in an age where people do not develop self-control, discipline, focus. There are no limits because the parents do not educate them for that. They are ill-prepared, do not know how to train their children, "he warns.

Playboy Niterói arrested in German

Son of a psychologist and sociologist, Peter Victorino, 25, was just another typical middle-class child from Niterói User of drugs when he was arrested at 16 in the German Complex, with nearly a kilogram of drugs. "I was no longer a playboy who liked to 'give a two' (smoking marijuana), but who was provided for addicts Icaraí. Crossed at least one kilogram of cocaine per week, to resell, "says Peter.
Fernando Victorino and Mara, the parents, who were wary of drug use, knew then that his son was arrested. "I thought it was a joke of it, he left home, saying he would play football on the beach, but it was not," says the father. Eight years passed before, on Tuesday after a meeting with relatives of other addicts, friends recognized its share of blame: "Only now admit that I was an absent father too. Democratizing the very relationships in my family. Should have imposed limits and then give freedom. This was our biggest mistake. "
Addiction to the creation of treatment center

After being hospitalized, suffering and fear of relapse back to an environment conducive to drugs, Pedro Victorino to give up the habit and created Project Free alongside Carlos Henrique Rosa, 32, drug addict who got rid of the crack, after becoming homeless , and two friends.
Counselor of other addicts, he is now studying psychology. His parents also help boys and men as a former executive Marco to make their way back from drugs.
"Chemical dependency is a progressive, incurable and fatal, that you will only be reduced if each member of the family, codependent, seek help before or during treatment of the subject. Otherwise it is impossible to get him out of habit ", says Peter.

From his experience, he says have taken a lesson. "Parents do not give money, but buy clothes, lend the car, do not encourage work or study, and think they are helping. This is the worst way to sustain the addiction of the son. You must make treatment a bargaining chip, because it is no use to stop giving money, but keep giving good life. "

Project does not exclude those who can not afford to pay

Considered one of the major referral centers for the treatment of addicts, the Project Area (Proliv), located at a site in the city of Marica, 70 km from downtown Rio, receives much like someone who can not afford to pay. The important thing is to be determined to fight the addiction.

"We know that treatment in a private clinic is very expensive. Often we take the monthly fee for a dependent with better financial terms, the purchases that will feed the family of a worker who had to quit her job to intern here. Therefore, the aid is welcome. What we do not accept is to leave to help someone, "says Peter.
In the daily routine internal Proliv, discipline is the main item. It's time for sleep, wake up, eat, study and, especially, to rethink the dangers of addiction. At the head, the book 'Just for Today: Daily Meditations for a recovering addict. "
Program helps prosecutors dependent

Targeted, the parents of Peter Victorino sought help in court. The boy was among the first beneficiaries of the Therapeutic Justice program, which allows people in conflict with the law if they have committed offenses of lower offensive potential drug-related, comply with the punishment or measure of social-rehabilitation centers, where they can treat disease.
Peter, then aged 16, came to be taken to the Recovery Center Juvenile Offenders Padre Severino, on Governor's Island. When parents seek help in the prosecution service, he eventually moved. "That's what saved my son. He had no choice. It was the case or the case, and that's what happened. Otherwise, he surely would not be alive today, "said Mara Victorino.

In the case of Peter, the family already suspected that he used drugs, but the 'penny dropped' on the day of arrest. According to psychiatrist Jairo Werner, the children show signs that they are involved with drugs, just pay attention to their behavior, especially if the crack.

"The dependent crack has striking behavioral changes. Quickly, is unable to study or work. Get to spend much money. Often it consumes everything we purchase, but as the drug needs to have around, end up spending a lot, "he explains.
Experts have warned for burns on his fingers, nose and mouth, as characteristic signs of crack users, because the materials used to manufacture the pipes do not protect them from heat, and cocaine in this drug is a local anesthetic, so that they do not feel pain during use.

Fonte: O dia / Web Rádio Gospel
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