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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Irã é censurado pela AIEA, o Brasil se abstém.

Os países membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado à ONU, decidiram sexta-feira, por ampla maioria (25 votos a três, com seis abstenções), censurar o Irã pela construção secreta de uma usina de enriquecimento de urânio. A resolução foi a primeira feita pela AIEA contra o Irã em quatro anos, assinalando a preocupação crescente com o obscuro programa nuclear de Teerã. A decisão da AIEA, na opinião de especialistas em relações internacionais, deixa o Brasil em posição delicada no contexto mundial, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em recente encontro com o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu o direito de o Irã desenvolver seu programa nuclear “para fins pacíficos”. Na votação de sexta-feira, o Brasil foi um dos seis países que se abstiveram.

O Itamaraty justificou sexta-feira a não-reprovação ao Irã como uma medida favorável à continuação do diálogo entre a república islâmica e o chamado P5+1, grupo que reúne os países membros do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha. Segundo a assessoria da diplomacia brasileira, a reprovação ao Irã seria uma forma de pressionar o país a aceitar um acordo segundo o qual Teerã enviaria seu urânio para ser enriquecido no exterior, para depois tê-lo de volta em forma de cobustível nuclear. Ainda segundo o Itamaraty, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, teria confidenciado ao presidente Lula durante encontro em Brasília, que a relutância do Irã em aceitar o acordo se devia ao não cumprimento de um acordo semelhante nos anos 70, quando o Irã enviou seu urânio e não o recebeu de volta. O Itamaraty argumenta também que a reprovação ao Irã elimina a possibilidade de um acordo inédito, que ainda tinha chances de acontecer.

Para o professor de relações inernacionais da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Coutinho, o Brasil “desafinou” em relação ao seu posicionamento sobre o Irã.

– A diplomacia brasileira erra no tom, não em buscar um diálogo com Teerã, mas em parecer se solidarizar com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. – analisa Coutinho. – O erro, aliás, já vem de antes, quando o Brasil reconheceu precipitadamente o resultado das eleições iranianas.

Coutinho cita a intenção brasileira de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU como um provável motivo de suas recentes posições relacionadas ao Oriente Médio, mas condena a estratégia.

– Vamos conseguir votos do Oriente Médio para uma cadeira no Conselho? Vamos. Mas isso não adiantará nada se as nações com poder de veto não endossarem o pedido – lembra Coutinho.

Tese simplista

Sobre a questão, o Itamaraty reconhece a intenção de se aproximar do Oriente Médio, mas considera “simplista” a teoria de que qualquer decisão diplomática estaria baseada na tentativa de apoio para uma vaga no Conselho de Segurança.


Outo analista, o coordenador do curso de relações internacionais do Ibmec no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, José Luiz Niemeyer, considera “desconfortável” a posição do Brasil no contexto internacional, principalmente depois do resultado da votação de sexta-feira na AIEA.

– Já tinha achado estranha a postura do presidente Lula e do ministro Celso Amorim, quando da visita do presidente Ahmadinejad, na segunda-feira. – diz Niemeyer. – Num evento voltado para a assinatura de acordos sobre outros temas, o presidente iraniano usou como quis o espaço que o Brasil ofereceu para fazer uma espécie de propaganda de seu programa nuclear.

Niemeyer avalia que o Brasil, como signatário do Tratado de Proliferação Nuclear, deveria acompanhar a opinião da maioria das nações da AIEA que votaram pela reprovação ao Irã.

– Não estamos falando de política econômica ou de sistema de governo, mas sim de um tema muito mais sensível, que trata da possibilidade de o Irã desenvolver armas atômicas – lembra o professor.

O Itamaraty nega que o Brasil esteja isolado sobre a questão, lembrando que outras nações de peso em seus continente, como África do Sul e Egito, também se abstiveram de reprovar o Irã.

EUA dizem que tempo está se esgotando e estudam sanções

A Casa Branca disse sexta-feira que o tempo estava se esgotando para o Irã cumprir as obrigações sobre seu programa nuclear, e que o voto de censura da AIEA à república islâmica mostra o consenso mundial sobre a questão.

“O fato de 25 países de todas as partes do mundo votarem a favor da censura mostra a necessidade urgente de o Irã resolver a crescente falta de confiança internacional sobre suas intenções”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em um comunicado.

Apesar de China e Rússia, tradicionais aliadas do Irã, terem votado pela reprovação à república islâmica, não ficou claro se os dois países também apoiam a adoção de sanções contra Teerã. Mas autoridades americanas já sinalizam que devem sugerir a aplicação de mediadas contra o governo Ahmadinejad por Washington, caso ele não aceite exigências feitas pela AIEA.

– Esperamos que a resolução do conselho reforce a mensagem de que, vocês sabem, estamos comprometidos em elaborar um pacote de consequências se não encontrarmos um parceiro disposto. Esperamos que o Irã tome nota dessa mensagem clara – disse sexta-feira uma autoridade americana.

O texto aprovado sexta-feira intima o Irã a “suspender imediatamente” a construção da nova central de enriquecimento de urânio em uma montanha perto da cidade sagrada de Qom, que teve a existência ocultada até setembro.

Também exige que Teerã informe os objetivos da central e o calendário de realização, além de confirmar que não adotou nenhuma decisão sobre a construção ou autorização de qualquer instalação que não tenha sido informada à AIEA. A resolução será transmitida ao Conselho de Segurança da ONU.

O enviado do Irã à AIEA, Ali Asghar Soltanieh, descreveu sexta-feira a resolução como uma medida “apressada e indevida”. O iraniano afirmou ainda que seu país vai pôr fim a seus “gestos voluntários” de cooperação com a AIEA. Segundo ele, seu país estuda “outras opções” para o enriquecimento de urânio, como alternativa à proposta do diretor geral da AIEA, Mohamed ElBaradei.

ElBaradei havia proposto que 70% do urânio levemente enriquecido do Irã fosse submetido a um processo de enriquecimento maior na Rússia, para depois ser transformado na França em combustível nuclear destinado a um reator de pesquisa científica em Teerã.

Uma "modalidade alternativa" contemplava um armazenamento intermediário do urânio na Turquia, um país amigo tanto do Irã como das grandes potências, que concordaram com o projeto.

Fonte: JB / http://webradiogospel.com

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