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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Distorcendo a Bíblia: O desejo travesti de Adão

Certa vez conversava com um professor de Letras da UFMG, num simpósio de filosofia e letras na PUC-MG, e surpreendi-me com o olhar sobre o personagem Frankenstein de Mary Shelley, onde, o professor, relacionava-o com o primeiro travesti da história da literatura. A analogia usada em tom de poesia foi muito curiosa, diria, significativa, além de bela e provocativa... De forma contemporânea, claro, sem se dar ao método, contudo de uma riqueza inenarrável (devidamente autorizado, pretendo divulgar aqui, numa outra postagem as considerações do professor da UFMG).


Vez ou outra, nós desse blog, e tenho uma certeza, quase que absoluta, que outros blogs do segmento LGBT, recebemos uma sentença axiológica (falaciosa, mas...), que se Deus fosse a favor da homossexualidade teria ele criado Adão e IVO e não EVA! Contudo, e se Eva fosse o primeiro TRAVESTI da narrativa religiosa?
Ora, sabemos que a Bíblia não fala literalmente em um Adão, como um único homem criado. A expressão hebraica para Adão no sentido amplo é Adamah: terra, solo, chão fértil e significa na essência HUMANIDADE, aquilo que pode ser cultivado, modelado. Há quem diga de solo vermelho. O termo é diferente de eres, que significa terra em oposição ao céu, ao mar, terra matéria, substância, há vários outros sentidos como o político: delimitação de domínio de um clã, de uma tribo, o geográfico: fronteiras, terras delimitadas, regiões. A narrativa da revelação nos diz que Deus criou o ser humano (´adam) com o solo vermelho, fértil, cultivável (´adamah). Nesse momento não há distinção de gênero; Deus cria a humanidade, ou o ADAMAH.
Filosoficamente o Ser é só, é próprio do homem a solidão, contudo, o homem só se dá conta de sua solidão, quando ao seu semelhante percebe e não consegue transpor-se nele, no outro. Assim, o Ser é o que é, e o outro continuará sendo o que é, um sem se transpor no outro, cada um sendo indivíduo de si mesmo. Jean- Paul Sartre dirá nessa perspectiva que o outro é o inferno (o inferno é o outro).


A narrativa bíblica diz que Deus viu que o homem estava só e resolveu criar para ele uma companheira, e Adão caiu num profundo sono. Ora se num primeiro momento a narrativa fala de uma humanidade, bem certo que os gêneros nela já estão definidos, o escritor eloísta em sua teodicéia resolve então explicar esse sentimento VAZIO do Ser dando a ele uma companheira. E essa companheira nada mais seria do que o sonho de Adão. Adão sonha consigo mesmo (o sujeito sempre fala de si), Eva, nada mais é do que o desejo de Ser do próprio Adão. Eva é o Adão travestido nas escrituras, é tudo aquilo que o ADÃO não tem coragem de ser, assumindo-se em si mesmo... Eva é a mulher do fruto proibido, da desobediência: é o Adão se libertando do jugo de ser macho, e se vendo feminino, percebendo-se delicado, passivo, histérico. Na narrativa ele dorme, enquanto é moldado em si mesmo, enquanto perde a vara, para receber o varão. E nisso Adão se compraz!
Adão e Eva, Ivo e Eva, Adão e Ivo nada mais é, nas escrituras, do que o desejo travesti de Adão.
Fonte: gospelgay / http://webradiogospel.com

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